sexta-feira, outubro 17, 2008

Veludosas vozes

Tenho uma confissão a fazer: vozes femininas chegam diariamente aos meus ouvidos. Embora considere um talento “de outro mundo”, não me refiro a fantasmas. De uns tempos pra cá, as meninas vêm se destacando na música brasileira, inclusive com reconhecimento internacional. Um exemplo é Marisa Monte, que foi convidada por Julieta Venegas – cantora em ótima fase – para participar do CD MTV Unplugged.
Fernanda Takai, Vanessa da Matta, Maria Rita vêm surpreendendo a cada disco lançado, trazendo à tona a qualidade que, por muitas vezes, fica escondida atrás de Tati’s Quebra-Barraco e Bondes de Popozudas (argh!) que andam desfilando em algumas rádios por aí. Ah, não pode comparar pop com erudito? Então experimenta ouvir uma Ivete Sangalo à capela e confere se não é possível se encantar... Interessante também é o som da cantora CéU (sim, é assim que escreve) que mistura vários ritmos: MPB, jazz, hip hop, entre outros. Neste ano, lançou o disco “Sonantes”, que é uma boa dica, pra escutar calmamente. Já que comecei nas dicas, finalizo com mais algumas: disco Samba Meu, da Maria Rita, de 2007; Barulhinho Bom, da Marisa Monte; Onde Brilhem os Olhos Teus, de 2007, onde a Fernanda Takai canta Nara Leão. Vozes femininas também invadirão seus ouvidos.
Texto publicado no Jornal A Fonte de 06/09/2008.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Amor Feinho


Eu quero amor feinho.

Amor feinho não olha um pro outro. Uma vez encontrado, é igual fé,não teologa mais.

Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo e filhos tem os quantos haja.

Tudo que não fala, faz.

Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada.

Amor feinho é bom porque não fica velho.

Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é: eu sou homem você é mulher.

Amor feinho não tem ilusão,

o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho.


Adélia Prado



Ãi meu coração... tum tum piiiiiiiiiii

terça-feira, julho 01, 2008

Cada acorde em seu lugar - por Fernanda Couto


Antes de chegar ao palco, discretamente teve de cuspir. Nojento? Que nada! Ele tava meio ruim do ‘catarro’ como justificou alguns minutos depois. E nessa simplicidade, ele subiu, chamou a atenção da criançada inquieta e falou sobre música, profissão e literatura. Duca Leindecker, guitarrista e vocalista da banda Cidadão Quem, autor dos livros “A casa da esquina” e “A favor do vento” e também da trilha sonora do filme “As vidas de Maria”, foi uma das grandes atrações da III Feira Regional do Livro de São Sepé.
Num bate-papo descontraído, Leindecker trouxe em seu discurso a infelicidade de alguns: “Vou parar um pouco com a Cidadão, por motivos pessoais.”. Mas os fãs não ficarão a ver navios, pois um projeto do Humberto Gessinger, líder da banda Engenheiros do Hawaii, com Duca está para ser lançado até o final do ano. Ambos já trabalharam juntos, inclusive na composição de uma música pertencente ao álbum 7! da Cidadão Quem.
Leindecker escritor não teme em se assumir e justifica: “O Duca escritor é o Duca mesmo. O livro te expõe de uma forma mais profunda. Afinal, toda a forma de arte tem de ser um sentimento verdadeiro extravasado.”. Uma nova obra já está sendo preparada, que fala sobre um artista plástico que faz telas pelas quais as pessoas se encantam. É um realismo fantástico, porém autobiográfico. “Os livros sempre são o espelho de algo que o cara viveu. Se as pessoas colocassem para fora o que sentem, canalizassem a energia em algo produtivo, o mundo seria muito melhor!”, sugere o artista.
A fórmula do sucesso se explica com a relação de amor com o público gaúcho. “O gaúcho se acha, mas tem motivos. Eu sou artista regional, o RS tem uma coisa que nenhum estado e arrisco a dizer que nenhum outro lugar do mundo tem. Tenho uma relação de amor com o estado. Construí tudo aqui e fui muito acolhido. É uma relação que rende mesmo.”, finaliza o artista após alguns chimarrões.





(Entrevista realizada para o jornal A Fonte)


"Sonhei que as pessoas eram boas em um mundo de amor e acordei nesse mundo marginal".



Trilha sonora: Dia Especial - Cidadão Quem

quarta-feira, junho 18, 2008

Receita de Chocolate


As aparências denunciavam: o novo álibi estava ali, ao lado direito. Bethânia tenta adaptar-se às tendências (tão novas e surreais). À esquerda, ele passava. Em silêncio, com o olhar perdido. Passou e sentou. De lá não saiu.
O encanto com a direita, como previsto, tornou-se em ilusão. Bethânia já não importava-se com isso, afinal, grandes alegrias compensavam tais acontecimentos. Exercitando-se contra torcicolos, a esquerda chamou sua atenção.

Uma dose de paciência,
Duas xícaras de atos comedidos,
Uma pitada de encanto.

Aquele olhar perdido escondia o livro das receitas.





"... de chocolate que o amor é feito. De chocolate, choco choco chocolate bate o meu coração..."



Trilha Sonora: É de chocolate - Xuxa

segunda-feira, maio 19, 2008

Semáforo

O coração parou de acelerar diante de tal visão.
A ligação deixou de existir, de ter razão.
A sede de novidades voltou a incomodar.

Querer mais e mais e mais teve seu preço.

Hoje, sorrisos tranquilos, saudade apertando e um caminho a trilhar.

O sinal abriu.


...a novidade veio dar à praia na qualidade rara de sereia...

segunda-feira, março 24, 2008

O que os netos ouvirão [1]

Sábado de primavera. Clima ameno. Sofia e Paula haviam combinado de ir a uma festa que tinha pela cidade. Bethânia optou por ficar em casa. As três aguardavam a hora passar ali, na sacada. Entre uma fofoca e uma gargalhada, passa uma turma de meninos e meninas.
- Oi gurias! – chama o rapaz.
- Oi! – coro de vozes femininas.
- Vão ficar em casa num sábado????
- É... – responde Bethânia.
- Não! Vamos sair. – corta Sofia.
- Ah que pena... mas se quiserem ir numa festa conosco, é só ligar. Meu telefone é 99576789. – galanteia.
- Tá, mas qual é o teu nome?
- Pedro.
- Certo. – finaliza Bethânia.

- Bethânia! Tu nem pensa em fazer uma coisa dessas!
- Táááá Sofia! Eu não vou ir!
- Se tu for, eu vou ficar muito braba!
- Mas eu não vou... Oh, tá tocando meu telefone.

- Alô! Oi Ju!
- Vem beber uma ceva aqui em casa!
- Olha só, tu não quer ir numa festa do além comigo?
- Ué, vamos!
- Vou tomar banho e desço aí.


A festa foi combinada. Ju desistiu de ir. Bethânia não. Era uma festa estranha com gente esquisita o que não impediu que durasse até a manhã do dia seguinte. Sofia ficou um pouco braba. E Bethânia nunca mais viu nenhuma das pessoas que lá estavam.

terça-feira, março 11, 2008

Ampulheta

Tempos sem escrever. Tempos sem motivos de grandes alegrias.
Tempos de conhecer pessoas que julgava já conhecer.
Tempos de ver a falta de paciência – e perturbar-se com ela.
Tempos de ver que o que é verdadeiro permanece.
Tempos de busca desenfreada por novos horizontes.
Tempos de buscar novos suspiros, novos perfumes, novos sorrisos. Tempos de crise.
Tempos de indecisão. Tempos de decepção.
Tempos de planos.
Tempos...

“Tempo amigo, seja legal! Conto contigo pela madrugada...”


Trilha Sonora - Pato Fu.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Reflexões de carnaval

Será um chip que faz os corpos balançarem freneticamente à batida "tun dum ticudundum dum"?

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Frustração

Bethânia por fim havia se decidido. Ela já sabia do óbvio, mas no fundo... bem no fundo sempre sobrevivia uma mísera esperança. Mas desta vez ela estava decidida. Andava tranquila, sem pensar em bobagens. Lia com maior freqüência, ria com mais vontade. Comia e bebia menos. Parecia estar no caminho certo.
As datas importantes passaram, e ela não exagerou. Mandou as felicitações de uma forma carinhosa, porém distante. Ignorar parecia ser a solução. Fred sempre fez assim... O telefone toca: uma mensagem. Dois segundos e Bethânia tremia, não conseguia passar o lápis no olho, enfiar a chave na fechadura, andar em linha reta. O coração batia descompassado.
Chega tentando parecer natural. Senta no mesmo tempo em que ele levanta e vem cumprimetá-la. Um abraço, dois abraços, quatro abraços. Trivialidades. Descompasso. Tremedeira. Frustrantemente, ela sorri feliz.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Balanço

Num blog que não tem nenhuma proposta diferente, é possível fazer qualquer tipo de postagem comum. E a de balanço do ano que passou não foge à esta regra... Sendo assim,
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Balanço 2007
Foi o ano das viagens: da fuga pra uma casa de campo, de carnaval em pleno Big Brother Brasil e noite na serra com volta às pressas.
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Foi ano de cair de quatro em frente aos estabelecimentos, de invadir quartos, de exigir desconto no churrasquinho, de fazer montinho enquanto a banda toca e de uma grande filosofia: "puxassaquismo não leva a nada!"
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Foi ano de grande amor, de querer ser feliz pra sempre, de aprender o significado de ensemble, assim de descobrir que quem te faz acreditar nem sempre acredita; Ano de conhecer um monstro maléfico e debochado, e que me faz - quase sempre - tão bem; Ano de ver o mundo acordar e a gente dormir (e o dia nascer feliz).
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Foi ano da boca podre ser boca limpa por alguns momentos; De entrar no Theatro e ouvir o trabalho ser aplaudido, ou entrar como uma selvagem pós chuva.
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Foi ano de ditadura militar, de arquivo municipal acompanhada de milhares de ácaros, de entrevistas inesquecíveis, de leituras edificantes e de um documentário produzido.
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Foi ano de perda, de uma torcedora a menos na minha torcida; de uma Oca a menos no meu cotidiano; de uma turma a menos na faculdade.
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Foi ano das grandes pessoas, em destaque as mais do que especiais que se conheceu no último quatriênio, de lembrar já com saudade, de querer reencontro.
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Foi um ano de orgulho, de um mestre querido, de 29 novos jornalistas, de um sobrinho quase lá, de algumas pessoas especiais passarem por provas de fogo, de um 9,7 com gosto de 10,0²³¹²¹²³¹³¹³¹³²¹³¹³²¹.
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Enfim, 2007 foi um ano de preparação, reequilíbrio e encerramento de uma fase. Sei que nada será como antes amanhã...

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Ausência

E foram dois meses de não presença. Além do Paulo Lauda e do Adelmo Genro que consumiram minha vida neste tempo, outros me marcaram... eles, sempre eles. Me refiro aos que falavam sobre análise do discurso madrugada a dentro, aos que mandavam mensagens de apoio, aos que torciam incessantemente.

Pude ver gente correndo de moto de um lado para o outro para poder ter o prazer de assistir ao amigo entregar um trabalho na hora;
Pude ver uma turma reunida, aguardando a chegada do último a concluir um objetivo nada fácil;
Pude ver um brinde de alegria;
Pude ver uma turma se esvaindo em lágrimas, enquanto um amigo mais do que querido lia sua mensagem cheia de desejos positivos;
Pude receber abraços sinceros de quem quer sempre o meu bem;
Pude dividir segredos íntimos com a vizinha da esquina;
Pude fazer montinho e tirar fotos com a banda;

Ausências são para essas coisas... para refletir sobre o que é bom e que te faz tão bem e aprender a ignorar àqueles que tentam te atingir (tentativas quase falhas, óbvio!).

Me ausentei
Refleti
Voltei.



"amar e mudar as coisas me interessa mais..."

terça-feira, outubro 23, 2007

E de novo a despedida...

Segunda-feira, 18 horas. Vou empolgada me despedir, o expediente terminou. Me surpreendo ao ver ela ali, chorando. Raras vezes eu havia presenciado esta cena. Num primeiro momento resolvi disfarçar (como se alguém fosse acreditar que eu não tinha visto) e passei reto para outra sala. Ao retornar da mesma, chego perto dela, apta a prestar solidariedade seja lá o que tivesse ocorrido.
- Ué o que foi? - eu falo.
- Sexta vamos fazer uma festa de despedida? - ela replica
- (engole seco)Por quê? - eu questiono.
- (limpa as lágrimas) Tô indo embora.
...
O resto do diálogo já não vem ao caso, até mesmo por que foi impossível de entender. Chorei por um desespero - sim, muito egoísta de minha parte - mas parecia que o chão tinha aberto e eu tava indo, novamente, ao fundo de um buraco. Em abril de 2004, foi assim. Eu sabia que era para o meu bem, mas entristeci. Eu sabia que estava diante do começo do progresso, porém o preço que eu estava pagando não foi promocional.

Ela está indo, com as melhores perspectivas. Eu fico por aqui, na torcida que as mesmas sejam superadas. Enquanto isso guardo no meu baú (aquele baú que a gente tem do lado esquerdo do tronco, sabe?) os jogos da rima; as conversas sobre o passado unidas a gargalhadas, fotos e Bohemias; as peripécias da familiOca; a conspiração constante contra as vacas; o compartilhamento das grandes paixões que houveram nesse tempo - os inícios e os fins; o carinho famliar, que por muitas vezes me fez esquecer que ela não era uma Couto; enfim, as atitudes sempre tão simples que permitiu a criação de uma amizade forte dessas que não se terminam por nada.

O choro egoísta é impossível de conter, assim como o ensejo que essa ida seja o primeiro degrauzinho do sucesso. (ang)Ela é mais do que especial e já me faz sentir saudade.

Trilha sonora: Pra ver se Cola - Trem da Alegria

segunda-feira, outubro 22, 2007

Bobagenzinha

Além das bobagens oriundas de minha inspiração, gostei desta nova e resolvi perder tempo fazendo. =P


1º) Pegar um livro próximo (não procureeeeeee);
2º) Abra-o na página 161;
3º) Procurar a 5ª frase completa;
4º) Postar essa frase em seu blog;
5º) Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro;
6º) Repassar para outros 5 blogs.

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"Entre esse primeiro livro e o último, Memorial de Aires (1908), percebe-se uma lenta evolução, que faz de sua obra uma das mais importantes de nossa literatura." (falando de Machado de Assis)
Estudos de Literatura Brasileira - Douglas Tufano

Enviado para Elisa, Mana, Vanessa, Bruno, Pedro

*Havia esquecido de citar, mas agora vai: quem me pasosu foi a minha irmã Âng(ela). ;)

sábado, outubro 20, 2007

Não é 1, nem 3, mas que é ímpar... ah é...

Em 2004 minha vida tomou um rumo diferente: sair de casa, morar com desconhecidos, iniciar uma faculdade, conhecer outras pessoas. Neste último ítem, a minha maior lembrança daquela época foi numa aula de cibercultura. Trabalho em grupo, todos se juntaram e sobraram eu, Ana Paula, Elisa e Diogo. Com essa tal de Elisa, eu nunca havia falado. Achava-a meio antipática, metida a moderninha. Nem do trote a criatura participou... diz que veio transferida de outra universidade. Mal sabia eu, que a p**** da cibercultura ia me trazer uma grande pessoa. Com o passar do tempo, passamos a dialogar, ir nas mesmas festas, fazer trabalhos juntas e uma amizade foi se criando. Um processo natural de conhecimento e admiração.
Ambas arianas, brabas e irritadinhas... (heheheheh), apesar disso bem diferentes. Pensamentos, ações, atitudes opostas em muitas situações. E isso não é um empecilho, é um fator positivo. Discutimos, brigamos, discordamos e por isso acredito em amizade verdadeira. Não é por meia dúzia de opiniões conflitantes que deixamos de ser unidas. Sim! Unidas para confidenciar as muitas histórias vividas, para utilizarmos do nosso veneno maléfico (heheheheh), para pedir conselhos, para momentos de diversão, de aflição e de cotidiano.
Elisa é ímpar. O trevo de quatro folhas que tive a oportunidade de achar nessa fase e o futuro que nos espera, não me assusta. Tenho plena certeza que o nosso laço não se desmancha tão fácil. Foi bem soldado com a sinceridade e o amor... grande amor sempre!

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Trilha sonora: Superfantástico - Balão Mágico

domingo, outubro 14, 2007

O processo do surto
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Me aproximo de um momento muito esperado, não só nos últimos quatro anos, mas desde antes, quando tudo era sonho. Ao mesmo tempo, que estes foram os melhores conjuntos de 365 dias - com descobertas, mudanças, pessoas espetaculares, momentos indescritíveis e a tal independência - , foram também os mais trabalhosos - que me exigiram esforços, lidar com situações ainda desconhecidas, estar sozinha quando precisava de uma orientação e quebrar a cara algumas vezes.
Porém nada é comparado à atualidade. Pressão por maior desempenho. Pressão por cumprir prazos. Pressão por rendimentos. Pressão das contas a vencer. Pressão pelo amor não conquistado. Pressão do futuro desconhecido.
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Aí... A Fernanda entra em crise. E chora. E quer de novo aquele abraço apertado que durou só dez segundos. E quer uma palavra de apoio daquela amiga que só mandou ficar calma. E quer assistir aos Simpsons só mais uma vez. E quer uma vida normal de quem tem só 22 anos.
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"Quem sabe eu ainda sou uma garotinha?"

segunda-feira, setembro 24, 2007

O Último Tango em Paris
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Chegou e disse: - Último Tango em Paris me fez lembrar de ti.
- Por quê?
- Ah eram dois desconhecidos e se encontravam casualmente um não sabia nada do outro era somente sexo...
- Hum... mas ele se apaixona por ela e blá blá blá...
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Poderia parecer ofensiva essa declaração, mas para ela não foi. Se ela faz parte de alguns pensamentos dele, não seria apenas uma diversão casual. E realmente não era... quantos cafés, filmes e bate-papos sem grandes intimidades entre os corpos?!
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À sua lembrança vem que em "O Último Tango em Paris" o casal não sabe o nome um do outro. Lá no dia 14 de abril, ela também não sabia o nome dele, teve que recorrer a uma terceira pessoa para refrescar sua memória. As coincidências parecem terminar aí: ele não é viúvo traído e ela não está prestes a casar com um cineasta (e ela não vai buscar a manteiga). Na realidade, ainda estão na metade do filme. Ela quem gosta, insiste e quer participar da vida dele. O desfecho tem-se a certeza que não será igual, afinal foi feito promessa quanto a isso. Resta aquela vontade que ele a tire pra dançar um tango - que não seja o último e não precise ir até Paris.
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- Promete que não haverá tiro que eu prometo que não haverá memorial.
-Prometo!
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Trilha sonora: entre Legião Urbana e Los Hermanos.


Gênero: Romance
Origem/Ano: FRA-ITA-EUA4/1972
Duração: 129 min
Direção: Bernardo Bertolucci

Com Marlon Brando e Maria Schneider



sábado, setembro 22, 2007

24 horas
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Já não tem 18 anos, ou seja, passou da fase de rebeldia.
Já passou bem dos 20 anos, ou seja, não é a crise dos vinte e poucos.
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Estava inquieta, querendo ficar quieta.
Buscava possibilidades em todos os lugares, porque não queria mais frequentá-los.
Sente saudade, quer um colo, um abraço apertado, atenção.
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Deita na cama vazia e fria. Vira para o lado direito tentando evitar que as lágrimas caiam. Esforço em vão. A chuva faz o som. Cerra os olhos. Lá se foi mais um dia...

sábado, setembro 15, 2007

Do desfalque ao alívio
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Bethânia passava por uma fase conturbada. Contas a pagar outras a receber sem sucesso, corrida contra o tempo, uma certa solidão. Nos amigos próximos encontrava o abrigo mais aconchegante. Porém, havia um desfalque. E este era sua maior dor de cabeça nos últimos tempos.
Ver o que sempre soube que existia mas parecia distante ali ao seu lado a deixava inquieta, impotente, burra. Saber a solução e não saber aplicá-la. Saber o problema e não ter reação. Os comentários alheios lhe corroíam. As críticas então, nem se fala!
A luz do fim do túnel não partiu de Bethânia, mas aliviou sua consciência. Na primeira oportunidade ela pode trocar o antigo sorriso amarelo pela risada com vontade. Os cabelos estavam bem arrumados, o corpo estava mais bonito, as conversas voltaram a ser edificantes. E ela ouviu: - Acredita, eu voltei a ser uma estudante!
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Bethânia acredita, sem hesitar.
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Trilha Sonora: Hit the road Jack - Ray Charles

quarta-feira, setembro 05, 2007

Pra mim

"todo sofrimento desse corpinho senil expresso nessa carinha de maracuja de gaveta"
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E eu ainda simpatizo com a rica criatura que elaborou esta frase direcionando-a a minha pessoa.
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Trilha Sonora: Hey Now Now - The Cloud Room

terça-feira, setembro 04, 2007

Carta de desaforo

Bom dia,
Você até pensa que eu sou aquela besta menina, porém, a cada dia, me possuo da certeza do quanto não me conheces. Eu quero distância e isso tem uma causa. Em minha memória está fresquíssima a recordação da pessoa chata que você é. Todas as mentiras, todas as histórinhas inventadas, todos os dramas muito bem interpretados... Temporariamente me desfalquei da inteligência e acreditei em cada vírgula vinda de ti, a sorte é que esse "temporário" terminou.
Como conseqüência herdei essa aflição que me acompanhava até hoje. E para me livrar da mesma, usei o que aprendi com você: as artimanhas de achar o ponto fraco.
Agora, vivendo no estado de satisfação, posso seguir tranquila, sem os fantasmas de um passado pouco aproveitável. De repente, àquela época, seja dedicada uma ou duas linhas de minha biografia, mas só pra ilustrar o quanto se aprende na dor.
Ah e a você? Nem meu desprezo eu dedico.
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Ass.: Bebê (nenhum pouco cute cute)
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"Flutua como uma nuvemmm..."
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Trilha Sonora: Dia Perfeito - Cachorro Grande